quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Coisas da vida

O tempo que foge de mim…




A cada ano, dia, hora e minuto que passa, sinto que o tempo foge de mim…
Esse tempo que me passa ao lado como um sopro de vento, e me faz sentir que tudo é efémero… sinto o tempo e a vida, fugir-me por entre os dedos.
Estico os meus braços, e abro bem as minhas mãos, contemplo-as… e vejo-as vazias, vazias de tudo, de tudo o que já passei… há… como eu queria segurar em minhas mãos aquilo que mais amo, o que me faz sentir bem, tudo o que me faz feliz… mas não consigo, ninguém consegue!
Como eu gostaria que ele não fugisse de mim, levando com ele toda a minha vida, e tudo o que faz parte dela. Esse tempo que insiste em fugir de mim… quem me dera poder para-lo, segura-lo, e se para isso, tivesse de manter as minhas mãos fechadas, então jamais as abriria, só para que o tempo não me escapasse das mãos, por entre os meus dedos, talvez assim, conseguisse manter tudo o que mais amo.
Bem junto de mim, o que faço com tudo o que guardo no coração, dentro dessa caixinha guardo o que não posso esquecer, nem quero perder! Mas… são apenas memórias, e recordações não palpáveis… e ao pensar assim, sinto uma grande nostalgia, sinto um grande vazio que invade tudo o meu ser, uma tristeza que me parte o coração em pedaços.
É isto que eu sinto… e tudo, porque sinto que o tempo foge de mim, e eu não o consigo parar! E ainda preciso de tanto tempo para viver, dar vida, amar e ser amada, e ter tempo para tudo, e até mesmo para nada, quero apenas ter tempo… e sentir que o tempo não foge de mim, esse tempo, de que tanta gente se queixa, de não ter tempo para nada… esse tempo que passa depressa demais!
Mas, se então assim é, eu vou agarrar esse tempo, irei ser sua cúmplice, e irei viver ao seu ritmo, aproveitando ao máximo todos os dias da minha vida, todos os nascer, e por do sol, as noites de céu estrelado, e até mesmo, as de céu nublado, a melodia dos pássaros a cantar, a água que corre em cada fonte, o sorriso que há em cada criança, o olhar doce, e as palavras meigas em cada velhinho… vou simplesmente, amando, beijando e abraçando todos os que amo, dizendo-lhes, que tenho sempre tempo para eles.
Vou ter tempo, para olhar e tocar as coisas mais belas da vida… desde uma simples pedra, passando por uma frágil flor, até ao ser que está ao meu lado.
E a esse tempo, que teima em fugir de mim, irei fintá-lo, sorrir-lhes, e dizer-lhes, que o tempo para mim, não é o que ele faz comigo, mas sim, o que eu faço com ele!

Ass: Ana Paula Mendes Nunes Da Conceição Horta

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