terça-feira, 7 de setembro de 2010

Coisas da Vida

Recordar é viver...




Foi numa quente noite neste mês de Agosto de 2010 que ao fazer mais uma caminhada pela aldeia de Amieira Do Tejo, onde tentava esticar os “ossos” e fazer mais rápida a digestão que me deparei em pleno largo frente á Junta de Freguesia com um grupo de senhores que ali estavam a apanhar o fresquinho da noite, todos eles rondavam os seus 60/70 anos, caras essas que já bem conheço ali da aldeia, não resisti juntar-me a eles, pois apesar dos meus singelos 34 anos sempre gostei de ouvir e de falar com pessoas mais velhas, pois para mim é nos mais velhos que encontramos a verdadeira sabedoria da vida através das vivencias que já tiveram, são eles os mais “velhos” que nos dão a verdadeira visão de como era e de como está o nosso país, de como era a vida outrora, e isto deixa-nos a pensar…
E foi o que aconteceu comigo nesta noite. Daquelas bocas sábias só ouvi testemunhos de verdadeiros sábios da vida onde o maior sentimento que ali reinava era o de saudade dos tempos que passaram e não sentem mais, sentem sim, uma grande falta de sinceridade, amizade e respeito entre os outros.
Nestes nossos dias muito se ganhou, mas… muito mais se perdeu! Perdeu-se contudo o respeito, a interajuda e a falta de humanismo, é simplesmente um salve-se que puder!
Houve contudo no meio de tanta troca de palavras e recordações uma frase que me marcou e jamais irei esquecer, essa frase foi verbalizada por um senhor que terá os seus 74 anos, mais coisa menos coisa, de seu nome Álvaro Lino Bernardo, e essa frase foi a seguinte: _ O nosso mundo já acabou, nós agora vivemos num mundo novo!
E eu ao ouvir este senhor pronunciar esta frase senti que o seu sentimento era saudosista, e eu senti tristeza por ele e por mim, pois o seu mundo parecia muito mais real, puro e honesto do que o meu!
Falou-se de muitas coisa entre as quais do que era o ensino escolar do “antigamente” e do que é hoje, e eu mais uma vez ali estava extasiada a olhar e a ouvir o que aqueles senhores iam dizendo… e fiquei fascinada com a maneira que todos eles falavam do ensino do seu tempo, fiquei ainda encantada e fascinada com a capacidade que esta gente conseguiu memorizar tanta coisa e ainda hoje se lembram, desde fazer contas das mais complicadas de cabeça, dizer a tabuada de cor e salteado bem como verbalizar certos textos que marcaram a sua meninice nos tempos da primária.
E se recordar é viver, foi o que mais uma vez aconteceu ao senhor, Álvaro Lino Bernardo que ao pronunciar um dos textos do livro da 3ª classe antiga, deixou-me boquiaberta pela sua capacidade de memória com que pronunciou o texto que a seguir vou passar a citar, pois não poderia deixar de o partilhar com tantos que já o conhecem mas se bem calha já dele não se lembram, mas acima de tudo quero partilha-lo com os da minha idade e com os mais novos pois acho que este texto é de uma verdade e ternura imensa, e o senhor Álvaro pronunciou tão bem, e isto só mostra realmente como os tempos eram outros!

P.S: Aqui fica então em jeito de recordação este lindo texto que me foi pronunciado pelo senhor, Álvaro Lino Bernardo, e desde já um Bem Haja a todos os que tiveram nestes tempos esta grande qualidade de ensino que a meu ver não foi em vão, pois os resultados estão à vista através de testemunhos vivos, e eu tive e vou tendo o privilégio de os ouvir através destes grandes sábios e poetas do povo que vivem no anonimato e a quem são apelidados de “velhos”, mas nunca se esqueçam que são eles que têm a verdadeira essência e a verdade sobre a vida, e Deus queira que nós os mais novos cheguemos à idade daqueles a quem chamam de “velhos”.

Eis então o texto:

A velhinha
Uma vez uma velhinha
Quási cega, coitadinha,
E já mal podendo andar,
Encostada ao seu bordão,
Sempre olhando para o chão,
ia na estrada a passar.


Ouvindo um cão, que ladrou,
a pobrezinha parou,
olhando em roda, assustada.
Quis fugir, não conseguiu,
tentou correr, mas caiu
a pobrezinha, coitada!

Nisto surge uma menina,
viva, formosa, ladina,
que, ao vê-la cair no chão,
correu logo apressurosa,
condoída e carinhosa,
e á velhinha deu a mão.


_ Eu a levanto, avózinha,
e a levo à sua casinha.
Onde lhe dói? O que tem?
Diga, que eu vou buscar
qualquer coisa para a curar,
vou pedir à minha mãe…

_ Não foi nada, meu amor,
tu és um anjo, uma flor.
Ajuda-me só a andar.
Deus pague a tua bondade,
com muita felicidade!




* Este texto foi-me facultado pelo senhor Álvaro Lino Bernardo, a quem desde já agradeço, sem mais me despeço deixando um cumprimento para todos e um até breve.

Ana Paula Mendes Nunes Da Conceição Horta

terça-feira, 25 de maio de 2010

Carta aos meus queridos pais...



Como é bom poder dizer que tenho pais. De poder chamar-vos queridos pais. Se antes não vos dizia, agora tenho vontade de dizê-lo. O que antes não me dizia nada, agora, diz-me tudo.Tarde de mais... é o que penso, é o que sinto, e como este sentimento me deixa tão triste... me faz sentir mal! Mas acreditem queridos pais, que não foi, nem era por mal, a culpa foi sempre da distância, é que antes estavam perto, mas agora... agora estão tão longe...! E como sempre, só damos o verdadeiro valor, e sentimos a falta de quem gostamos quando as perdemos ou quando estão longe de nós, longe da nossa vista, mas nunca do nosso coração! Preciso de dizer-vos que sinto a vossa falta, tenho saudades vossas, e amo-vos tanto!Se antes não vos dizia, embora o sentisse, agora quero dizê-lo, que vos amo tanto, tanto, mas tanto!Queridos pais, se antes havia coisas que não vos fazia, nem dizia, era porque estavam aqui mesmo ao lado, afinal a distância era tão curta... e no fundo nunca nos passa pela cabeça, ou não queremos pensar, que o que gostamos e nos faz sentir bem um dia tem e pode chegar ao fim, pois nada, nem mesmo o tempo é eterno e foi o que aconteceu... esse dia chegou, tinha de chegar!A casa que habitaram estes últimos 14 anos de 1987 a 2008 em que estiveram por Lisboa, não era a vossa, era a vossa, era-vos apenas emprestada, a vossa sim, estava à espera, à espera de quem lhe pertencia, e esse alguém são vocês queridos pais, por isso, aproveitem-no bem, essa é que é a vossa casa, é aí que têm de ser felizes, na linda e tranquila Amieira.Queridos pais, o meu coração chora, chora de saudades de tudo o que poderíamos ter feito juntos, e não fizemos... E tudo isto, quando estávamos quase a dois passos. Mas, o que lá vai, lá vai... Há que seguir em frente, e há que enfrentar a vida como ela se apresenta diante de nós, no nosso dia-a-dia...E uma coisa é certa, sempre fizemos e demos tudo o que podia-mos, e quando assim é, já é de louvar, pois não devemos fazer o que não se pode, mas sim, o que se pode e quando se pode! E como tristezas não pagam dividas então não há razão para eu ficar nem andar triste, pois ainda vos tenho, e não pode haver maior alegria, que é poder olhar-vos nos olhos, dizer-vos que vos amo e chamar-vos de meus queridos pais!P.S.: Esta carta é para os meus pais: Manuel Nunes da Conceição e Maria Antónia Estrada Mendes da Conceição, os quais eu amo muito. Quero que saibam que as boas recordações nunca morrem, ficam para sempre guardadas no pensamento e no coração terão de ser recordadas com um sorriso nos lábios, uma pontinha de saudade, e até se for preciso... com lágrimas de felicidade!Todas as outras recordações, menos boas, essas... são para simplesmente esquecer! Queridos pais, de uma coisa, podem ter a certeza, tanto vós como eu, e os meus irmãos, jamais esqueceremos os anos passados na Quinta do Palácio Marquês da Fronteira em Lisboa, isso ninguém nos pode tirar, estão bem guardados no nosso coração, foram anos preenchidos de tudo, e de nada... foi simplesmente o dia-a-dia da vida!!!Mas agora, á que seguir em frente... De uma coisa tenho a certeza, sempre tive boas razões para ir até á nossa linda e tranquila Amieira, mas agora tenho razão ainda maior... vocês!!!Com amor, da vossa filha:


Ana Paula Mendes Nunes da Conceição Horta


Com esta carta aos meus pais gostaria de transmitir ás pessoas que devemos aproveitar e tirar partido das pessoas que mais amamos enquanto as temos ao nosso lado, para que um dia mais tarde... não reste apenas um vazio!

Amieira viveu as festividades dos Passos

















Domingo 21 de Março, chegava a Primavera e com ela mais um dia, em mais um ano em que se iria realizar a procissão do Senhor dos Passos. A pacata aldeia de Amieira do Tejo amanhecia com um imenso nevoeiro serrado, mas quis o Senhor dos Passos que o seu dia se torna-se num lindo dia de Sol radioso, e foi o que aconteceu, o nevoeiro levantou e o Sol raiou, brilhou diante dos nossos olhos aquecendo-nos a alma e o coração, transformando esta linda tradição religiosa num acto de fé contagiante e sereno.Eis que saia então o Senhor dos Passos por volta das 16:30h da capela do calvário até á igreja matriz, onde se realizou a simbólica missa. Pouco tempo depois saia da igreja ao encontro de sua mãe, e este encontro estava cada vez mais perto, teria lugar na praça Nun’ Alvares Pereira junto ao Castelo, foi o que aconteceu, e como sabeis não há encontro mais doloroso, comovente e emocionante do que o encontro de uma mãe com um filho que está em sofrimento.É no fundo o que simboliza este acto diante de nós e nos transmite sentimento de tristeza, dor, saudade e arrependimento, mas acima de tudo, amor a Jesus, à sua mãe e ao próximo.E a via-sacra continuava…Saindo da praça Nun’ Alvares Pereira o senhor dos Passos já caminhava junto de sua mãe numa caminhada dolorosa até ao Calvário, nesta caminhada juntaram-se novos e velhos, todos eles num grande acto de fé e amor ao senhor Jesus, a grande razão do nosso existir.Foi lindo e comovente de ver os jovens e amigos da terra carregarem o andor do Senhor Dos Passos desde o começo ao fim da caminhada. Com isto mostra que afinal os jovens também nutrem de verdadeiros sentimentos de responsabilidade, respeito e amor, ao contrário do que muitas vezes lhes atribuem.Deste modo, a todos eles muito obrigado e um grande bem-haja pela presença e preciosa ajuda na contribuição deste acto religioso, e a todos os que estiveram presentes para que esta tradição tão desejada e amada se mantenha até ao fim da nossa existência, mesmo aos que apenas estiveram presentes somente de coração, o meu (nosso) muito obrigado ficando aqui desde já um pedido caloroso para que voltem sempre!!!
Texto e fotos de Ana Paula Mendes Nunes da Conceição Horta

Amieira do Tejo: 77º Aniversário da Sociedade Educativa Amieirense













Foi no passado dia 3 de Abril de 2010 em plena época pascoal que em Amieira do Tejo em grande ambiente de confraternização entre os filhos e amigos da terra se comemorou os 77 anos da Sociedade Educativa Amieirense, tendo sido inaugurada uma placa decorativa em homenagem a todos os associados fundadores da sociedade.Nesta inauguração e nos 77 anos da Sociedade, marcaram presença, muitos associados e não só, a presidente da Câmara Municipal de Nisa, engª. Gabriela Tsukamoto, o presidente da Junta de Freguesia de Amieira do Tejo, Rogério Dias e como não podia faltar, o presidente da direcção da Sociedade Educativa Amieirense, Fernando Trindade entre muitos outros.O convívio entre o povo deu-se ao fim da tarde onde houve comes e bebes á descrição, tendo-se prolongado até por volta das 22h, hora essa que deu início a um baile que se arrastou noite dentro.O ambiente esteve ao rubro e todo o povo cantava, dançava e encantava. Entre risos, sorrisos, bebidas para cá e para lá entre a correria das crianças, houve ainda a venda das tradicionais rifas onde todos eram contemplados com prémios! E claro que não podia faltar o tradicional bolo, uma gostosa e enorme boleima, para cantar os parabéns a esta associação, já com alguns aninhos, a nossa Sociedade.Foi um fim de tarde e noite bem passada que presumo quem esteve presente já mais irá esquecer, sendo este o meu sentimento e de muitos mais. Um muito obrigado e um grande bem-haja a todos os que estiveram presentes, desejando desde já os sinceros votos de muitos parabéns à Sociedade Educativa Amieirense bem como a todos aqueles os que ajudam a manter esta grande casa.
Ana Paula Mendes N.C. Horta